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sábado, 2 de abril de 2011

Lima Barreto (Natan e Miguel)

Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 16 de maio de 1881 - São Paulo,1 de novembro de 1929), melhor conhecido como Lima Barreto, foi um jornalista e um dos mais importantes escritores libertários[  brasileiros.
Era filho de Joaquim Henriques de Lima Barreto (mulato nascido escravo) e de Amália Augusta (filha de escrava agregada da família Pereira Carvalho). O seu pai foi tipógrafo. Aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico, que imprimia o famoso periódico "A Semana Ilustrada". A sua mãe foi educada com esmero, sendo professora da 1º à 4º séries. Ela morreu cedo e João Henriques trabalhou muito para sustentar os quatro filhos do casal. João Henriques era monarquista, ligado ao Visconde de Ouro Preto, padrinho do futuro escritor. Talvez as lembranças saudosistas do fim do período imperial no Brasil, bem como suas remotas lembranças da Abolição da Escravatura na infância tenham vindo a exercer influência sobre a visão crítica de Lima Barreto sobre o regime republicano.
Ele foi um mulato num Brasil que mal acabara de abolir oficialmente a escravatura, teve oportunidade de boa instrução escolar. Após a morte da mãe, passou a frequentar a escola pública de D. Teresa Pimentel do Amaral. No ano de 1895 foi admitido no curso da Escola Politécnica, no Rio de Janeiro. Porém, foi obrigado a abandoná-lo em 1904 para assumir o sustento dos irmãos, devido à loucura que afligiu o seu pai. Tendo sido repetidamente reprovado por não se interessar muito pelas matérias - passava as tardes na Biblioteca Nacional -, deixou de graduar-se em Mecânica. Data dessa época a sua entrada no Ministério da Guerra como amanuense, por concurso. O cargo, somado às muitas colaborações em diversos órgãos da imprensa escrita, garantia-lhe algum sustento financeiro. Não obstante, o escritor, que só veio a ser reconhecido fundamental para a literatura brasileira após seu precoce falecimento, cada vez mais deixava-se consumir pelo alcoolismo e por estados emocionais caracterizados por crises de profunda depressão e morbidez.
Lima Barreto começou a sua colaboração na imprensa desde estudante, em 1902, no A Quinzena Alegre, depois no Tagarela, O Diabo, e naRevista da Época. Em jornais de maior circulação, começou em 1905, escrevendo no Correio da Manhã uma série de reportagens sobre a demolição do Morro do Castelo. Daí em diante, colaborou em vários jornais e revistas, Fon-Fon, Floreal, Gazeta da Tarde, Jornal do Commercio, Correio da Noite, A Noite (onde publicou, em folhetim, Numa e a Ninfa), Careta, ABC, um novo A Lanterna (vespertino), Brás Cubas (semanário), Hoje, Revista Souza Cruz e O Mundo Literário.
Em 1911 editou com amigos a revista Floreal, que conseguiu sobreviver apenas até à segunda edição, mas despertou a atenção de alguns poucos críticos. 1909 foi o ano de sua estreia como escritor de ficção, publicando, em Portugal, o romance Recordações do Escrivão Isaías Caminha. A narrativa de Lima Barreto nesse primeiro livro, pincelada com indisfarçáveis traços autobiográficos, mostra uma contundente crítica à sociedade brasileira, por ele considerada preconceituosa e profundamente hipócrita, até mesmo os bastidores da imprensa opinativa são alvo de sua narrativa mordaz, inspirados na redação do Cartas da Tarde. Em 1911 começou a publicação, em formato de folhetins no''''Jornal do Commercio'''' do Rio de Janeiro, de sua mais importante obra, Triste Fim de Policarpo Quaresma, que anos mais tarde (1915) foi editado em brochura e considerado pela crítica especializada como basilar no período do Pré-Modernismo.
Sua vida foi atribulada pelo alcoolismo e por internações psiquiátricas, ocorridas durante suas crises severas de depressão - à época era um dos sintomas pertencentes ao diagnóstico de "neurastenia", constante de sua ficha médica - vindo a falecer aos 41 anos de idade.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Panorama Histórico e Social . Brasil 1890 - 1920

       Nesse 1° Bimestre que está em andamento, foi abordado em Literatura o seguinte tema: Pré-Modernismo. Foi proposto pelo professor Pablo, um trabalho sobre o perfil e obras de Escritores desse período, como, Lima Barreto, Monteiro Lobato, Euclides da Cunha e Augusto dos Anjos. Já ao nosso grupo, nos foi proposto pesquisar e formular um Panorama Social e Histórico no Brasil entre 1890 - 1920 . Governo, Economia, População, Ex-escravos, Revoltas, Revoluções, Movimentos Políticos e Imigração . Segue no link a seguir os Slides .

http://www.slideshare.net/brendonw/panorama-histrico-e-social-brasil-18901920


Alunos: Brendonw Klein, Caroline Carvalho, Fabricio Eller, Leonardo Afonso e Yuri Couto . 

domingo, 5 de dezembro de 2010

Palavras




As palavras do amor expiram como os versos,

Com que adoço a amargura e embalo o pensamento:

Vagos clarões, vapor de perfumes dispersos,

Vidas que não têm vida, existências que invento;



Esplendor cedo morto, ânsia breve, universos

De pó, que o sopro espalha ao torvelim do vento,

Raios de sol, no oceano entre as águas imersos

-As palavras da fé vivem num só momento...



Mas as palavras más, as do ódio e do despeito,

O "não!" que desengana, o "nunca!" que alucina,

E as do aleive, em baldões, e as da mofa, em risadas,



Abrasam-nos o ouvido e entram-nos pelo peito:

Ficam no coração, numa inércia assassina,

Imóveis e imortais, como pedras geladas.

 
Características do poema : este poema tem diversas caracteristicas parnasianas como: a poesia tem sua valorização por sua beleza em sí, ou seja o poema tem que ser perfeito como por exemplo neste verso :  as palavras do amor expiram com verso.
O parnasianismo trata os temas baseando-se na realidade deixando o subjetivismo e a emoção de lado : Mas as palavras más, as do ódio e do despeito,O "não!" que desengana, o "nunca!" que alucina,
Eles também usam o vocabulário culto e elevado em seus versos : O "não!" que desengana, o "nunca!" que alucina, Abrasam-nos o ouvido e entram-nos pelo peito.
Em todo o poema ele evita uso da mesma classe gramatical, porque assim o poema fica muito mas rico. A impessoalidade do poema, o autor não interfere em qualquer fato do poema. E a utilização do soneto, que são 14 versos e 4 estrofes.





Trio: Brendonw , Leo e Yuri

Valeoo Pabloo !!!


                                                                 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ANOITECER (Raimundo Correia)


ANOITECER 
Raimundo Correia


Esbraseia o Ocidente na agonia
O Sol... Aves em bandos destacados,
Por céus de oiro e de púrpura raiados,
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...

Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia...

Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua...

A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.



Análise do poema

O poema acima está inserido cronologicamente e caracteristicamente no estilo de época parnasianista. Analisando - o com certo conhecimento do estilo, podemos observar no mesmo diversas características típicas de poemas do estilo.

O poema do estilo parnasianista tem como uma de suas características a descrição de algo (um objeto, um acontecimento, um fenômeno da natureza, uma paisagem, etc.), e no presente poema podemos facilmente observar essa característica na medida em que o poeta descreve (sempre de forma poética) o anoitecer de um dia. Também podemos observar no poema um recurso poético extremante popular e utilizado por poetas deste estilo, a inversão de frases, colocando o sujeito da oração no fim da mesma ao invés de posicioná-lo no início, como seria de costume. Note essa característica nos versos:


“Esbraseia o Ocidente na agonia
O Sol (...)”


Onde o poeta poderia ter dito “O Sol esbraseia o Ocidente na agonia”, diz, “Esbraseia o Ocidente na agonia O Sol”, esse é um recurso que torna a frase mais bela e rica poeticamente, enriquecendo também o poema. Também nota-se que Raimundo Correia não se preocupou tanto com as rimas ricas típicas dos parnasianistas: Agonia/dia, serrania/melancolia são todos substantivos, logo pertencem à mesma classe gramatical, caracterizando assim as ditas rimas pobres, condenadas pelos poetas parnasianos. O mesmo ocorre com flutua/recua, esmaece/anoitece, destacados/raiados, e com aureolados/derramados, todos são verbos. Também se pode observar o emprego de palavras com terminações que dão rimas fáceis de serem feitas, existem muitas palavras que terminam com -ar, -er, ou -ir; e -ão por exemplo, O que, em teoria, também empobreceria o poema, segundo diria a você um poeta parnasiano.



GRUPO: Samuel Siqueira, Jéssica Klein, Patrícia Mafort

domingo, 21 de novembro de 2010

               Mal Secreto (Raimundo Correia)



" Se a cólera que espuma a dor que mora
  N'alma , e destrói cada ilusão que nasce ,
  tudo o que punge , tudo o que devora
  o coração , no rosto se estampasse ;


 Se se pudesse , o espirito que chora ,
 ver através da mascará da face ,
 quanta gente ,talvez que inveja agora
 nos causa ,então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri ,talvez consigo
quarda um atroz. recôndito inimigo ,
como invisivel chaga cancerosa ;

Quanta gente que ri ,talvez existe.
Cuja ventura unica consiste
em parecer aos outros venturosa ! "


        Analize do Poema

Atroz : Sem piedade ;desumano.
Canceroso : Da natureza do câncer.Doente de câncer.
Chaga : Ferida aberta ; úlcera. A cicratriz por ela deixada .
Punge : vem do verbo pungir ; Ferir ou furar com objetivo pontilhado ; picar . Estimular ,aflingir.
Recôndita : Oculto ,desconhecido.

'' Raimundo Correia"


      Como podemos analisar este é um soneto parnasianista de Raimundo Correia ,uma poesia que mostra
      claremte racionalista de elevado vocbular ,que aborda temas universais.


'' Tudo o que punge '' ; todos são feridos ou picados neste universo .

''Quanta gente que ri ,talvez consigo
quarda um atroz. recôndito inimigo ,
como invisivel chaga cancerosa ;''    ;  Todos temos muitos amigos ,mas nem sempre sabemos se são de verdade ou so por intereresse ;Raimundo aborda que muitas pessoas convive com você se faz de amiga mais no fundo ,essa pessoa pode ser um cancer prestes a ser diagnosticado ,e acabara com sua vida .Por isso estou sempre com  meu olho bem aberto com meus amigos .


Grupo: Fabricio,Najla e Juliana.

Literatura

Profissão de Fé
(Olavo Bilac)




Não quero o Zeus Capitolino

Hercúleo e belo,

Talhar no mármore divino

Com o camartelo.



Que outro - não eu! - a pedra corte

Para, brutal,

Erguer de Atene o altivo porte

Descomunal.





Mais que esse vulto extraordinário,

Que assombra a vista,

Seduz-me um leve relicário

De fino artista.



Invejo o ourives quando escrevo:

Imito o amor

Com que ele, em ouro, o alto relevo

Faz de uma flor.



Imito-o. E, pois, nem de Carrara

A pedra firo:

O alvo cristal, a pedra rara,

O ônix prefiro.



Por isso, corre, por servir-me,

Sobre o papel

A pena, como em prata firme

Corre o cinzel.



Corre; desenha, enfeita a imagem,

A ideia veste:

Cinge-lhe ao corpo a ampla roupagem

Azul-celeste.



Torce, aprimora, alteia, lima

A frase; e, enfim,

No verso de ouro engasta a rima,

Como um Rubim.



Quero que a estrofe cristalina,

Dobrada ao jeito

Do ourives, saia da oficina

Sem um defeito:



E que o lavor do verso, acaso,

Por tão subtil,

Possa o lavor lembrar de um vaso

De Becerril.



E horas sem conto passo, mudo,

O olhar atento,

A trabalhar, longe de tudo

O pensamento.



Porque o escrever - tanta perícia,

Tanta requer,

Que oficio tal... nem há notícia

De outro qualquer.



Assim procedo. Minha pena

Segue esta norma,

Por te servir, Deusa serena,

Serena Forma!



Deusa! A onda vil, que se avoluma

De um torvo mar,

Deixa-a crescer; e o lodo e a espuma

Deixa-a rolar!



Blasfemo> em grita surda e horrendo

Ímpeto, o bando

Venha dos bárbaros crescendo,

Vociferando...



Deixa-o: que venha e uivando passe

- Bando feroz!

Não se te mude a cor da face

E o tom da voz!



Olha-os somente, armada e pronta,

Radiante e bela:

E, ao braço o escudo> a raiva afronta

Dessa procela!



Este que à frente vem, e o todo

Possui minaz

De um vândalo ou de um visigodo,

Cruel e audaz;



Este, que, de entre os mais, o vulto

Ferrenho alteia,

E, em jato, expele o amargo insulto

Que te enlameia:



É em vão que as forças cansa, e â luta

Se atira; é em vão

Que brande no ar a maça bruta

A bruta mão.



Não morrerás, Deusa sublime!

Do trono egrégio

Assistirás intacta ao crime

Do sacrilégio.



E, se morreres por ventura,

Possa eu morrer

Contigo, e a mesma noite escura

Nos envolver!



Ah! ver por terra, profanada,

A ara partida

E a Arte imortal aos pés calcada,

Prostituída!...



Ver derribar do eterno sólio

O Belo, e o som

Ouvir da queda do Acropólio,

Do Partenon!...



Sem sacerdote, a Crença morta

Sentir, e o susto

Ver, e o extermínio, entrando a porta

Do templo augusto!...



Ver esta língua, que cultivo,

Sem ouropéis,

Mirrada ao hálito nocivo

Dos infiéis!...



Não! Morra tudo que me é caro,

Fique eu sozinho!

Que não encontre um só amparo

Em meu caminho!



Que a minha dor nem a um amigo

Inspire dó...

Mas, ah! que eu fique só contigo,

Contigo só!



Vive! que eu viverei servindo

Teu culto, e, obscuro,

Tuas custódias esculpindo

No ouro mais puro.



Celebrarei o teu oficio

No altar: porém,

Se inda é pequeno o sacrifício,

Morra eu também!



Caia eu também, sem esperança,

Porém tranquilo,

Inda, ao cair, vibrando a lança,

Em prol do Estilo!




Este poema talvez seja o que melhor retrata a época parnasiana pois nele percebemos toda a riqueza buscada pelo autor, tanto no texto quanto na forma.


Nas duas primeiras estrofes, Olavo Bilac deixa isso bem claro ao se comparar a um ouvires.

Na ourivesaria se fabrica peças de grande riqueza de detalhes.



Na nona estrofe ele diz:

Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito.
Esta estrofe resume bem o parnasianismo pois nela conseguimos reconhecer tudo o que o poeta quer. Se olharmos bem vemos a metrificação sempre regular ea grande variedade de rimas ricas.

Aqui também percebemos que não há nenhuma preocupação com os dramas do cotidiano popular.

O autor simplesmente ignora tudo ao se redor e se rende somente a perfeição de seu poema, que descreve sua profissão tão querida, a escrita. (Torre de Marfim).


Grupo-Claudia,Raquel,Victor.                                                                     2002